Homilia da Reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UPM 26 de outubro de 2005
Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade. Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares (porções escolhidas do Salmo 8).
A pesquisa é um dos grandes eixos que compõem a universidade moderna. Fico feliz em ver o Mackenzie progredindo nesta área, especialmente porque somos uma universidade confessional, além de comunitária.
Nossa confessionalidade cristã tem tudo a ver com a moderna pesquisa científica. A busca do conhecimento mais profundo das leis que regem o mundo foi, no início, em parte obstruída pelos conceitos panteístas das antigas civilizações e culturas. O panteísmo ensinava que Deus é o mundo e o mundo é Deus. Numa visão destas, as pessoas temiam provocar os deuses com suas indagações sobre o mundo.
O Cristianismo, após expandir-se e conquistar o mundo ocidental, abriu as portas para a pesquisa moderna com sua cosmovisão, particularmente seu conceito de criação. Conforme o relato bíblico, Deus não é o mundo, mas o criou como uma entidade distinta, funcionando de acordo com leis e princípios naturais que ele próprio concebera. Acabou-se, assim, o receio de investigar o mundo, uma vez que ele foi desmistificado. Além disto, o Cristianismo afirmou que o mundo existe mesmo, e que não é uma mera projeção de nossa mente ou uma extensão de nosso espírito criador. E desta forma, a pesquisa se fez possível, pois agora tinha um objeto concreto e passível de análise.
O Cristianismo oriundo da Reforma protestante também contribuiu de forma decisiva para o surgimento da moderna pesquisa. Ele defendeu que procurar entender nosso mundo faz parte do mandato cultural que Deus havia dado ao homem no ato da criação. Como tal, o homem deve investigar a criação ao seu redor, não somente para satisfazer a sua curiosidade natural, mas para, através da tecnologia, usar responsavelmente os princípios, leis e recursos do cosmos para o bem da humanidade e do meio ambiente. Além disto, ele deve ser motivado a conhecer melhor o universo onde Deus o colocou, conhecer ao próprio Deus e assim conhecer-se melhor.
O pesquisador cristão realiza seu trabalho com profunda humildade diante do mistério da criação e da sua grandiosidade. É a atitude que vemos no Salmo 8, que está reproduzido no início desta homilia. Também, cheio de gratidão a Deus, o autor e sustentador de todas estas coisas. Assim, ele se esforça para ser o melhor possível – para ele, a pesquisa é vocação, é ministério!
No livro da natureza aprendemos sobre Deus. Mas, existe um outro livro onde Deus se revela, inclusive de forma mais completa: a Bíblia. E não há contradição entre estas duas revelações. O pesquisador cristão procura conhecer a ambos, para uma visão mais ampla e abrangente do mundo e de seu Autor.
Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler