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Cartas de Princípios
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Apresentação

Anualmente, a Chancelaria desta Universidade publica uma Carta de Princípios, em que expõe um tema de destaque e relevância para nossa comunidade.
Você tem em mãos a Carta de Princípios da Universidade Presbiteriana Mackenzie para o ano de 2005.


Neste ano, o tema escolhido foi "Confessionalidade E Liberdade Acadêmica". O objetivo desta Carta, que também serve como material de discussão na disciplina Ética e Cidadania, é divulgar a visão da Mantenedora sobre esse assunto.


A escolha do tema deveu-se não somente ao seu caráter desafiador, mas também ao empenho, desenvolvido pela Chancelaria junto à Universidade, em fazer conhecidos, respeitados e levados em conta os princípios cristãos desta Instituição. Como parte do Planejamento Estratégico do Instituto Presbiteriano Mackenzie, a Carta visa esclarecer alguns pontos cruciais do assunto e promover um ambiente de compreensão e cooperação entre a Mantenedora e a Universidade.


Por esse motivo, apresento-a com alegria e expectativa



CONFESSIONALIDADE E LIBERDADE ACADÊMICA




A Universidade Presbiteriana Mackenzie é de natureza confessional. Isso significa que ela adota uma confissão religiosa. Conforme seu Estatuto, o Mackenzie "rege-se pelos princípios da ética e da fé cristã reformada e desenvolverá suas atividades em ambiente de fé cristã evangélica e reformada" (Art. 1º e 2º).



SER CONFESSIONAL


Ser confessional pressupõe um credo. Como o nome já indica, uma confissão é um conjunto de conceitos e valores que declaramos ser a expressão da verdade. Uma universidade confessional é aquela que adota uma confissão explícita no desempenho de suas atividades. A confissão pela qual o Mackenzie se rege é aquela da sua Mantenedora, que se encontra explicitada em seu principal símbolo de fé: a Confissão de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil.


Queiramos ou não, toda instituição de ensino, pública ou particular, é confessional. A prática do ensino requer uma filosofia de educação, que, por sua vez, exige idéias, métodos e valores e se orienta para um ideal na educação. Por trás disso, e influenciando cada escolha que se faz, está uma concepção de vida, de mundo, do ser humano, que por fim irá determinar o método. O que são essas coisas senão uma confissão? Portanto, mesmo universidades públicas têm seu credo. Como seguem modelos científicos mais aceitos, poucos estranham ou contestam tais crenças. O humanismo, por exemplo, tem seu credo e sua confissão. A diferença, no caso de entidades confessionais como a do Mackenzie, é que este credo é explicitamente e objetivamente assumido.



COMO A CONFESSIONALIDADE SE EXTERNA



A confessionalidade deve permear os três eixos da Universidade: ensino, pesquisa e extensão. Esses três grandes alvos são promovidos em conformidade com a visão de mundo, de indivíduo, de sociedade e de Deus da fé cristã reformada.


A confessionalidade da Universidade Presbiteriana Mackenzie se expressa de várias maneiras. Em seu Estatuto, em sua ética, na presença e atuação de sua Capelania, na disciplina "Ética e Cidadania" em todas as unidades e em seu alvo de formar o indivíduo como um todo. Idealmente, expressa-se, também, pela incorporação das premissas cristãs no labor acadêmico.


Ser confessional não pressupõe forçar essas convicções religiosas em alunos, professores e funcionários. O Mackenzie sempre preservou a liberdade religiosa e o respeito quanto às crenças individuais e sabe fazer a diferença entre academia e Igreja. Contudo, como confessional, a Universidade se reserva o direito de testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo em seu campus.



PRINCIPAIS CONCEPÇÕES CRISTÃS REFORMADAS


A fé cristã reformada é abrangente e forma uma visão ampla de mundo, a cosmovisão reformada. Algumas de suas concepções são fundamentais para a confessionalidade de uma instituição de ensino.



1. A BÍBLIA

A fé cristã reformada confessa que as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são inspiradas por Deus e que são, portanto, a sua revelação para a humanidade. Reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós, como também através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto, é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito. Muito embora a Bíblia não seja um livro de ciências, e nem tenha linguagem científica, nos fornece informações corretas sobre nós, nosso mundo e sobre nosso relacionamento com o Criador. A revelação de Deus plenificou-se na pessoa de Jesus Cristo, que confessamos como o Filho de Deus.


2. DEUS


Baseada na Bíblia, a fé cristã reformada confessa a existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. Este Deus é infinito, pessoal, transcende nossa realidade e compreensão, embora seja imanente e presente no nosso tempo e espaço. Ele é bom, sábio, justo, puro, verdadeiro e totalmente confiável. Ele nos visitou na pessoa de Jesus Cristo, seu Filho, a quem confessamos como Salvador dos pecadores. Sendo Deus o criador de tudo, sua existência, autoridade e vontade devem ser levadas em consideração ao formularmos o ideal de educação e de formação humana que pretendemos oferecer. Nossa pesquisa científica do mundo não deve excluir, a priori, premissas que admitem o transcendente.


3. O MUNDO


A fé cristã reformada confessa que o mundo foi criado por Deus e que teve, portanto, um começo. Nem o mundo e nem a matéria existem eternamente, mas foram criados por Deus e existem de forma concreta e objetiva em si mesmos. O mundo é distinto de Deus, e não uma extensão dEle. Desta forma, o mundo e o universo são passíveis de análise em suas leis e princípios. A convicção de que existe uma realidade objetiva lá fora nos encoraja a pesquisá-la. O mundo maravilhoso que nos cerca não é apenas uma projeção de nossos pensamentos ou uma realidade virtual, mas existe objetivamente, tendo sido trazido à existência pelo poder de Deus. Como tal deve ser respeitado e preservado. Acrescentamos ainda que Deus deu ao homem a tarefa de dominar a criação, o que implica conhecê-la e valer-se dela para seu bem e o dos outros.


4. O HOMEM


A fé cristã reformada confessa que o homem foi criado por Deus à sua imagem e semelhança e por ele colocado como administrador deste planeta, como responsável diante de Deus pelo uso e emprego de seus recursos naturais. Confessa ainda que o homem não está hoje no estado de inocência com que foi criado. Tendo usado de seu livre arbítrio para buscar a independência e autonomia, afastou-se de Deus, trazendo sobre si mesmo, e sobre seu próximo, dores, sofrimento, miséria, angústias e morte. Contudo, mesmo em estado decaído, o homem é capaz, pela graça comum de Deus, de aprender, pesquisar e usar os resultados de sua pesquisa para o melhoramento e o progresso de sua estadia neste mundo, muito embora nem sempre leve Deus em conta em seus labores e afazeres.


5. ÉTICA


Embora o termo esteja tão gasto hoje, a ponto de não significar praticamente mais nada, nós o empregamos, do prisma da fé reformada, para o conjunto de valores morais e de conduta revelados nas Escrituras, a partir do qual tomamos decisões. Mesmo em meio ao relativismo pluralista de nossa geração, a fé cristã reformada confessa a universalidade e validade de princípios morais, exarados nas Escrituras. Uma Universidade confessional, como a nossa, procura reger-se por esses valores. Em termos práticos, professores e funcionários devem se conduzir por valores tais como amor, justiça, honestidade, integridade e fraternidade.



6. O ENSINO



A fé cristã reformada procura incorporar a cosmovisão acima mencionada ao processo científico, pois não acredita que exista incompatibilidade verdadeira entre fé e razão. A educação confessional trabalha com os significados da cosmovisão cristã no mundo. Ela, por definição, rejeita os modelos utilitaristas e imediatistas de educação e defende uma educação integral, que alcance todas as dimensões do ser humano e que leve Deus em conta. A educação confessional serve aos propósitos de Deus como criador do homem, que são o conhecimento dEle e o desejo de glorificá-Lo, a alegria de viver em relacionamento com os demais, o aprendizado, a arte, o trabalho e o prazer. Deus é a nossa suprema âncora metafísica e a substanciação de nossa capacidade de conhecer veraz e concretamente.



CONFESSIONALIDADE E A LIBERDADE ACADÊMICA



Existe uma questão a ser esclarecida: como ser confessionais em meio à pluralidade e diversidade da universidade, à autonomia acadêmica e ao humanismo latente? Pode-se dizer que a confessionalidade da Universidade cria o ambiente onde a pesquisa acadêmica e a investigação científica são feitas e onde o saber se processa e é transmitido. Embora nem todos os que estudam e trabalham no Mackenzie confessem a fé cristã reformada, trabalhamos para uma convivência administrativa pacífica, e buscamos, juntos, manter os interesses acadêmicos e a qualidade na educação. Essa postura sempre marcou a existência desta grande instituição.


Conforme o que já foi dito, a neutralidade na educação é um mito. Se não podemos escapar às premissas, adotemos ao menos aquelas que integram a nossa origem, a nossa tradição e a nossa história. A fé reformada provê premissas, referenciais e parâmetros para a academia. Tem feito isso através dos séculos. Os grandes centros de ensino e pesquisa do mundo nasceram sob a influência do cristianismo e, na maioria dos casos, da fé reformada.


Quando o Harvard College foi fundado, em 1643, sua declaração da missão e do propósito da educação foi escrita da seguinte maneira: "Cada estudante deve ser simplesmente instruído e intensamente impelido a considerar corretamente que o propósito principal de sua vida e de seus estudos é conhecer a Deus e a Jesus Cristo, que é a vida eterna, (João 17.3); conseqüentemente, colocar a Cristo na base é o único alicerce do conhecimento sadio e do aprendizado". A Universidade de Harvard foi erigida debaixo desta confissão. O Mackenzie, que nasceu confessante, deseja prosseguir neste caminho e fortalecer os rumos da confessionalidade reformada que tem marcado grandes instituições de ensino em todo mundo.



 

Rev. Augustus Nicodemus Lopes, Ph.D.
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie


 
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