A Questão Fundamental (Lucas 10.38-42)

Homilia da Reunião
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UPM
Data: 18/06/08
Essa conhecida história do Evangelho tem muitas aplicações e lições, sendo a mais importante delas a prioridade que devemos dar, nessa vida, às coisas de Deus, sem nos perdermos na miríade de demandas que a vida cotidiana nos faz.
Todavia, desejo destacar uma outra lição importante, que é a necessidade de focarmos naquilo que é essencial. A melhor maneira de entender corretamente uma situação ou um problema é reduzi-lo aos seus pontos básicos e essenciais. É fazer as perguntas corretas em vez de nos perdermos em discussões periféricas e sobre pontos secundários.
Quero trazer esse princípio para o antigo debate acadêmico acerca da vida, do universo e do ser humano, que é o debate acerca das origens de todas as coisas. Todos teríamos um melhor proveito e entenderíamos melhor esse debate se pudéssemos reduzir a pletora infindáveis de questões e pontos polêmicos a um denominador comum, a uma ou duas perguntas que representasse o fulcro da questão.
Acredito que em vez de ficarmos discutindo a idade da terra, o processo pelo qual a seleção natural operou, em que medida Deus colaborou ou não com esse processo, deveríamos nos concentrar na questão que é realmente fundamental: a natureza é tudo que existe? Ela, por si mesma, pode explicar o surgimento e o funcionamento de todas as coisas? A vida surgiu por meio de processos naturais, materialistas, debaixo de um processo ininteligível, não direcionado e sem propósito?
Se a resposta for positiva, então o universo deve ser visto como um sistema fechado onde todas as coisas surgiram e se explicam em termos de causa e efeito. E nesse caso, as ciências deveriam aceitar apenas teorias naturalistas, e rejeitar a priori aquelas que sugerem a interferência de causas metafísicas, inteligentes e sobrenaturais para a realidade.
Se porém considerarmos que a natureza não é tudo que existe – e essa é a crença de 90% da população mundial, haja vista a pequena proporção de ateus nesse mundo, não deveriam as ciências considerar quaisquer teorias que explicassem de forma adequada a realidade, “até mesmo uma que invoque a ação de um ser inteligente?”, pergunta Nancy Pearcey na apresentação do livro As Perguntas Certas de Phil Johnson.
O retorno ao ponto mais fundamental desse assunto poderia nos levar a fazer as perguntas certas e estar abertos para respostas plausíveis e coerentes com a crença na existência de um Deus criador de todas as coisas.
No fundo, a questão das origens, da vida, das ciências, se resume numa decisão entre duas maneiras fundamentais de se entender a realidade. De um lado, a visão naturalista e materialista que enxerga o mundo e tudo que nele existe como o resultado de um processo longo e cego, sem propósito definido, que se encaminha às cegas pela seleção natural para um destino imprevisível.
Do outro, a visão de que o universo e as coisas que nele se contém são o resultado da ação inteligente e proposital de um Deus pessoal, todo-poderoso e sábio. Não é importante e essencial saber como ele operacionalizou o mundo e como ele o desenvolve. O importante é que, partindo do pressuposto que a natureza não é tudo que existe, essa visão está aberta para teorias e hipóteses que levam Deus em conta na pesquisa e no estudo. Essa visão de que a natureza não é tudo que existe nos coloca diante das questões mais importantes da existência: quem somos, de onde viemos, o que estamos fazendo aqui e para onde vamos, questões que precisam ser respondidas à luz da existência de Deus.
Como uma Universidade confessional que se guia pela ideologia cristã, não podemos adotar uma visão naturalista de mundo, que se fecha para pesquisas e estudos que levam em conta o transcendente e o metafísico. Com competência e abertura, devemos guiar nosso labor acadêmico sempre levando em conta os valores da fé e da visão cristã de mundo.
Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes
Chanceler da UPM
